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O Avivamento de Habacuque – Coty

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Perspectiva Brasil | Esboço do sermão

CN Alinhamento Quântico – Dez/2018

“Vede entre as nações, e olhai, e maravilhai-vos, e admirai-vos; porque realizo em vossos dias uma obra, que vós não crereis, quando vos for contada” (Hc 1:5)

Quantos podem dizer um grande “aleluia” para esta tremenda mensagem profética? Quantos acreditam nessa obra extraordinária que Deus, de repente, está por realizar na sua própria vida? Algo de maravilhar, de admirar e espantar a todos. Uma obra de proporções tão grandes que afetaria as nações. O que Deus realizaria, que quando alguém fosse nos contar, seríamos incapazes de acreditar ou imaginar que tal coisa pudesse estar acontecendo? A que tipo de obra, milagre, promessa ou intervenção divina o profeta se refere?

À primeira vista, tudo isso parece algo muito desejável, mas quando percebemos o contexto nos deparamos com algo estarrecedor.

Depois de um tempo de muita excelência e prosperidade, que culminou no reinado de Davi e Salomão, a nação, aos poucos, no decorrer das gerações, vai entrando em expressiva decadência, e começa a ser advertida de muitas formas e por muitos profetas. Vem, então, uma terrível fase, e parece que a idolatria e a impiedade se enraízam como um câncer mortal na nação.

Esta foi, então, a resposta que Deus deu à oração desesperada do profeta Habacuque, quando este clamava e reclamava do silêncio divino e da sua aparente insensibilidade, mediante tanto pecado e injustiça praticados impunemente pela “nação santa” (Hc 1:1-4).

Sentença revelada ao profeta Habacuque. Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás? Por que me mostras a iniquidade e me fazes ver a opressão? Pois a destruição e a violência estão diante de mim; há contendas, e o litígio se suscita. Por esta causa, a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta, porque o perverso cerca o justo, a justiça é torcida.

A resposta finalmente chega: Vede entre as nações, olhai, maravilhai-vos e desvanecei, porque realizo, em vossos dias, obra tal, que vós não crereis, quando vos for contada. Pois eis que suscito os caldeus, nação amarga e impetuosa, que marcham pela largura da terra, para apoderar-se de moradas que não são suas. Eles são pavorosos e terríveis, e criam eles mesmos o seu direito e a sua dignidade.

Só as pessoas que veem o pecado com os olhos de Deus podem entender de fato este texto. Na verdade, o que está em pauta é uma forte intervenção divina através de um grande juízo que surpreenderia a todos, fato que literalmente se cumpriu quando Jerusalém foi arrasada e o povo levado em cativeiro para a Babilônia.

Dois desafios proféticos:

1) Fazer o povo acreditar no juízo de Deus.
Quadro: Normalmente, o pecado não apenas traz uma dinâmica de escravidão, como também um terrível processo de insensibilidade moral, dureza de coração, seguido pela cauterização da consciência. Isto torna ainda mais difícil, radical e desafiante o ofício profético. UM MURO TORTO FORA DE PRUMO.

O povo principalmente por causa da influencia dos falsos profetas estavam totalmente céticos em relação a possibilidade do juízo de Deus, mesmo mediante tanta maldade, imoralidade, corrupção, suborno, etc. Até Habacuque estava esmurecendo.

Não somos treinados a crer no juízo de Deus. Na verdade, temos uma forte tendência para a incredulidade, quando a questão é o juízo de Deus!

Somos treinados a crer em milagres, graça, bênçãos, curas, respostas para as nossas necessidades, desejos e interesses. Tudo isso obviamente é muito bom.

Onde é que a nossa fé mais fracassa? Não somos ensinados a confiar no caráter de Deus e entender seu o coração quando ele precisa corrigir os desvios absurdos de uma sociedade.

Deus não está neste negócio de fazer você feliz. Deus quer fazer você crescer!

– Há muito tempo Deus estava chamando o povo a uma purificação, porém, foi ignorado. Vez após vez, os profetas tentaram avisar um povo ensurdecido e obstinado. A classe religiosa, digo política (eram mais políticos que religiosos), estava tão segura em si mesma que qualquer profecia neste sentido era totalmente absurda. Desprezaram os verdadeiros profetas. Estavam tão acomodados com seu estilo de vida corrupto que seriam inevitavelmente pegos de surpresa!

Qual seria, de fato, essa obra tão admirável, referida por Habacuque, que ninguém creria? A resposta não é outra senão um terrível tempo de julgamento divino. A nação seria destruída e exilada! Um duro processo para tratar com as mais profundas raízes da apostasia e idolatria.

O avivamento sempre brota de um processo genuíno de restauração. Não existe restauração sem correção. Milagres não transformam nosso caráter; o juízo de Deus, sim. O juízo sempre começa pela casa de Deus. Este é um princípio de ação do reino moral. No primeiro capítulo de Habacuque, Israel é julgado; no segundo, Babilônia é julgada (5 Ais dos Caldeus) e no terceiro, as nações são julgadas. Começou por Israel e atingiu todo o mundo!

Depois de Deus usar Babilônia para julgar Israel, ela também foi julgada. Quando você julga alguém, jamais se esqueça que você será o próximo da lista.

Antes dos avivamentos de magnitude mundial causados pelos testemunhos de Mesaque, Sadraque e Abdenego na fornalha (as três barras de ouro colocadas no cadinho), e também de Daniel, revelando o sonho de Nabucodonosor, decifrando a mensagem para Beltessasar e depois na cova dos leões, Israel experimentou o maior julgamento da sua história, até então, sendo levado para o exílio na Babilônia.

Ou seja, foi num contexto de juízo e purificação que o Deus de Israel foi glorificado e conhecido, por várias vezes, em todas as nações do mundo! O juízo tarda, mas não falha, como Deus disse a Habacuque:

“Pois a visão é ainda para o tempo determinado, e se apressará até o fim. Ainda que se demore, espera-o; porque certamente virá, não tardará” (Hc 2:3). 

DEUS NÃO BRINCA COM O PECADO. O primeiro tipo de incredulidade que Deus quer quebrar em nossas vidas é em relação ao seu juízo. Aquela visão otimista e romântica da nossa passividade religiosa que nos torna insensíveis ao pecado precisa cair por terra rápido.

Nosso conceito de prosperidade normalmente é falido ou está contaminado. São atalhos que muitas vezes nos levam a perder a direção de Deus.

Ninguém acreditava que Jerusalém fosse entregue aos inimigos e levada para a “terra da confusão”: Babilônia.

Quando Jeremias profetizava contra Jerusalém, isto era interpretado, pelos líderes da nação, como sacrilégio, um terrível absurdo. Mas simplesmente, para a surpresa de todos, foi o que aconteceu! “Poucos homens como Oséias, Jeremias, Habacuque, Ezequiel acreditaram nesta obra admirável”. O povo inteiro estava enganado! Os líderes da nação estavam distraídos! Os sacerdotes estavam errados! É terrível pensar que Deus está conosco de uma forma, quando Ele está de outra, totalmente oposta!

O processo de Deus mudar certas convicções erradas que nós temos é extremamente doloroso, mas necessário. Envolve muitas desilusões. O problema é que algumas desilusões matam não apenas as falsas convicções, mas também as verdadeiras.

Mesmo após o tempo prescrito para o cativeiro terminar, os exilados ainda permaneciam na inércia causada por tanta decepção e sofrimento. Aqui entra o segundo desafio profético. Muita gente desiste aqui. Optam pela apostasia.

2) Levar o povo de Deus a acreditar na restauração.

DE FATO, UMA RESTAURAÇÃO PARECIA IMPOSSÍVEL. Agora, os profetas tinham um novo desafio: fazer o povo acreditar na restauração de Deus. Esta foi uma tarefa tão difícil quanto a de fazer o povo acreditar no juízo.
Basta ler Neemias, Ageu, Zacarias, para entendermos o esforço que é necessário ser empreendido para restaurar a fé das pessoas abatidas pelo julgamento divino.

LIÇÕES SOBRE O JUIZO DIVINO – A palavra que mais expressa na Bíblia um alinhamento é o juízo: retidão, correção.

  1. O Juízo de Deus é sempre muito ruim para alguns e muito bom para outros. Divide a sociedade. Oxigena os injustiçados e abala, pune os injustos. Tem gente aliviada com a mudança do governo no Brasil e tem gente sofrendo, com medo.
  2. Normalmente, o juízo alcança mais, surpreende mais aqueles que menos acreditam nele. PT. Quando você percebe um quadro com muita gente acomodada, acostumada na imoralidade, indiferente à corrupção, é sinal que o juízo de Deus é eminente e será surpreendente.
  3. Tudo que vem de Deus é bom, até o seu juízo, o seu castigo. Ele sabe como nos salvar de nós mesmos. Nossa percepção do juízo de Deus normalmente é equivocada. A necessidade de correção nos cega para a importância da correção. Deus sempre tem um plano de resgate que é elaborado antes de sermos entregues ao castigo. Antes da destruição do templo de Salomão, em Ez 40, Deus já havia dado a planta do novo templo a ser reconstruído. Crises geram mudanças, renovação, alinhamento, correção de rota. O objetivo final do juízo não é destruir, mas reconstruir de acordo com o propósito original.
  4. Todo o juízo é um investimento de Deus em uma perspectiva de eternidade. O juízo de Deus sempre é uma profecia da restauração. Depois que Deus julga alguém, Seu próximo passo é usar esse alguém. A identidade, a consciência, e o propósito ganham clareza e profundidade e podemos edificar sobre o alicerce adequado. Entendemos melhor quem somos em Deus e onde devemos chegar. Reconstruir é mais difícil que construir; porém, a reconstrução traz consigo o aperfeiçoamento. O que você reconstrói sempre fica melhor. A experiência é a mestra da sabedoria. A glória da segunda casa é maior que a da primeira. Tudo o que você aprendeu com a destruição será usado na reconstrução.
  5. Existe um lugar de proteção para o justo em meio ao juízo. “O justo viverá pela fé” (Hc 2:4). “Mil cairão ao teu lado e dez mil à tua direita. Mas tu não serás atingido” (Sl 91:7). Alguns têm achado esse lugar. São os que se submetem ao tratamento de Deus, com fidelidade. Homens como Daniel, Neemias, Ezequiel, Sadraque, Mesaque, Abdenego e tantos outros que, mesmo no cativeiro, mantiveram sua fidelidade.

Eles prevaleceram sobre as condições mais desfavoráveis. Entenderam a justiça divina, confessaram as culpas da nação e as iniquidades geracionais de seus pais. Compadeceram-se daquela geração e intercederam pela restauração do povo que se encontrava em total assolação. Fizeram toda a diferença!

O CONHECIMENTO DINÂMICO DE DEUS – O caráter terapêutico do juízo.

O JUÍZO DE DEUS – O AVIVAMENTO QUE VEM DE UMA CORREÇÃO PROFUNDA, CIRÚRGICA. Pode ser comparado à cura de uma doença mortal.
Oséias enxergou o mesmo processo que Habacuque. Este texto expressa uma visão aprimorada, nua e crua, sem ilusões ou distorções, de como Deus age conosco, para que possamos, realmente, conhecê-lo:

“Vinde, e tornemos para o Senhor, porque Ele despedaçou e nos sarará; fez a ferida, e a ligará. Depois de dois dias nos dará a vida: ao terceiro dia, nos ressuscitará, e viveremos diante Dele. Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor; a sua saída, como a alva, é certa; e Ele a nós virá como a chuva, como a chuva serôdia que rega a terra” (Os 6:1-3). 

O Deus que fere e que cura – a ferida inteligente, proposital, precisa, profissional, terapêutica, que lida com o mal, que extirpa a doença.

CORREÇÃO CIRÚRGICA – O grande drama da cura de Deus é que ela, na maioria das vezes, é precedida por uma ferida, também de Deus. Antes de um cirurgião remover o tumor, ele precisa usar o bisturi para cortar. Não se pode curar sem operar, e não se pode operar sem ferir.

Toda pessoa e ministério poderosamente usados por Deus precisa poder dizer o que Paulo disse: “Trago no meu corpo as marcas de Cristo”. Da mesma forma, Isaías descreve o Messias como “ferido de Deus”. Jacó, também, foi atingido pela espada do anjo do Senhor. Deus sabe como nos ferir no ponto certo. Ele tem a perícia de um exímio cirurgião. Até Bolsonaro tomou uma facada para poder governar.

Existe, porém, uma diferença entre a ferida e a cicatriz. A cicatriz nada mais é do que uma ferida curada. A marca e a lembrança existem, porém, a dor, a vergonha, a vulnerabilidade foram totalmente superadas.

Segundo Oséias, conhecer progressivamente a Deus é o processo no qual Deus fere, trata da ferida, cicatriza, vivifica e ressuscita. Ou seja, aprender com a correção. Tem gente que quanto mais é corrigida, mais se rebela, mais desaprende.

Desta restauração alicerçada no juízo de Deus brota a adoração e uma perspectiva sólida da grandeza de Deus. O cântico de Habacuque: o espírito do verdadeiro adorador.

“Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto nas vides; ainda que falhe o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que o rebanho seja exterminado da malhada e nos currais não haja gado, todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é a minha força, ele fará os meus pés como os da corça, e me fará andar sobre os lugares altos” (Hc 3:17-19).

Este é o espírito do cântico de Habacuque. Ainda que não estejamos vendo as possibilidades de crescimento e frutificação, ainda que não sintamos a unção, ainda que estejamos sendo confrontados com a escassez de recursos e resultados, ainda que muitos estejam nos abandonando, todavia, Deus permanece fiel e digno da nossa fidelidade! Isto, realmente, é adoração!

Este é o processo pelo qual vamos conhecer a Deus e colocar em Deus e em mais nada ou ninguém a nossa confiança e satisfação. Então o Senhor será a nossa força. Ele nos fará saltar e caminhar por lugares altos, acima dos mais elevados obstáculos. O livro de Habacuque começa com uma interrogação e termina com uma exclamação. Deus deseja transformar todas as nossas perguntas em respostas surpreendentes de fé!

Só pessoas que compreendem o poder do tratamento de Deus alcançam esse nível de fé e adoração. São pessoas curadas, que têm cicatrizes de Deus em suas vidas, pessoas sadias que adquiriram a integridade necessária para servir a Deus e suportar as pressões de um verdadeiro reavivamento!

“Eu ouvi, Senhor, a tua fama e temi; aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos; faze que ela seja conhecida no meio dos anos; na ira, lembra-te da misericórdia” (Hc 3:2). 

No círculo evangélico, avivamento é uma das palavras que estão na moda, em alta. Porém, percebemos que a maioria das pessoas não entende bem as implicações pessoais de um avivamento. Se você realmente deseja e aspira ao avivamento, se você quer a vinda de Deus para a sua vida, igreja e sociedade, você precisa responder a esta pergunta que o profeta Malaquias faz:

“Mas quem suportará o dia da sua vinda? E quem subsistirá, quando ele aparecer? Pois ele será como o fogo do ourives e como o sabão de lavandeiros” (Ml 3:2). 

Você vai suportar a purificação de Deus? Você vai subsistir diante da sua correção? Vai aguentar o fogo purificador e a limpeza que ele quer fazer? Quando ele começar a lavar toda a roupa suja, desencardindo nossa alma, será que vamos suportar? Você ainda quer um avivamento? Um que comece por você?